Se examinarmos a nossa vida, descobriremos que a maior parte do nosso tempo e energia são devotados às actividades mundanas, como buscar segurança material e emocional, desfrutar de prazeres sensoriais ou construir uma boa reputação.
Embora essas coisas possam nos fazer felizes por pouco tempo, elas não são capazes de nos dar o contentamento duradouro que almejamos. Cedo ou tarde, nossa felicidade se converte em insatisfação, e nos vemos a procura de mais prazeres mundanos.
Directa ou indirectamente, prazeres mundanos causam-nos sofrimento mental e físico por estimularem apego, inveja e frustração. Ademais, a tentativa de satisfazer os nossos próprios desejos, frequentemente nos põe em conflito com os outros.
Se a verdadeira satisfação não pode ser encontrada em prazeres mundanos, a felicidade é um estado mental, portanto a verdadeira fonte de felicidade está na mente, não em circunstâncias exteriores.
Se a nossa mente estiver em paz, seremos felizes, mas se ela estiver agitada, nunca encontraremos felicidade, por mais que tentemos mudar as nossas condições exteriores.
O método para tornar a nossa mente pura e serena é treinar meditação, pois tornará a nossa mente calma e pacífica.
Com a mente serena, livramos-nos das inquietações e do desconforto mental e sentimos verdadeira felicidade; mas se a nossa mente não estiver em paz, não conseguiremos ser felizes, mesmo que as nossas condições externas sejam excelentes.
Se treinarmos em meditação, aos poucos a nossa mente vai se acalmar e experienciaremos uma forma de felicidade cada vez mais pura. Por fim, conseguiremos permanecer contentes o tempo todo, até nas mais duras circunstâncias.
Em geral, é difícil controlar a mente. Ela é como um balão ao sabor do vento – vai de um lado para outro, soprada por circunstâncias exteriores. Se as coisas vão bem, a mente fica feliz; se vão mal, reage tornando-se infeliz. Mesmo quando estamos felizes, essa felicidade não é completa. Por exemplo, quando obtemos algo que desejamos, uma aquisição ou um novo parceiro, ficamos excitados e nos apegamos a isso.
Porém, como não é possível obter tudo o que desejamos e como estamos condenados a ser separados de nossos amigos e posses, o apego, só serve para nos causar dor. Por outro lado, quando não obtemos aquilo que desejamos ou perdemos algo de que gostamos, somos tomados por desânimo e irritação.
Se formos obrigados a trabalhar com alguém que detestamos, ficaremos bravos e nos sentiremos prejudicados. Como resultado, o nosso rendimento será afectado e o dia no trabalho se tornar-se-á estressante e insatisfatório.
Essas oscilações de humor ocorrem porque estamos intimamente envolvidos com as situações exteriores. Parecemos uma criança que, construindo um castelo de areia, sente entusiasmo quando ele fica pronto, mas, logo a seguir, se decepciona ao vê-lo ser destruído pela maré.
Treinando em meditação, criamos clareza interior, que nos capacita a controlar as nossas mentes, quaisquer que sejam as circunstâncias externas. Aos poucos, substituímos a nossa mente desequilibrada, que oscila entre os extremos do excitamento e da decepção, por um equilíbrio mental, isto é, uma mente estabilizada que está feliz o tempo todo.
Se treinarmos em meditação de maneira sistemática, seremos capazes de erradicar as desilusões – causas de todos os problemas e sofrimentos. Desse modo, atingiremos um estado de permanente paz interior, conhecido como “libertação ou nirvana”.
Encontrando um Local para Meditação
Deveremos esforçar-nos por encontrar um lugar calmo e livre de intrusões. Isto não significa calmo no sentido de livre de ruído, pois o mundo está cheio de sons; mas livre da aproximação de pessoas e dos chamamentos de outrem.
Os aspirantes à meditação por vezes referem-se muito à oposição encontrada na família. Na maioria dos casos a falha é sua. As pessoas falam demais. Não diz respeito a ninguém o que fazemos em quinze minutos do nosso tempo de cada manhã, não havendo necessidade de falar sobre isso com os nossos familiares, ou de lhes impor silêncio porque queremos meditar.
Se for impossível arranjar um momento para a meditação matinal devido a compromissos familiares, procuremos libertar algum tempo mais tarde no dia. Há sempre um modo de sairmos duma dificuldade, se quisermos algo ardentemente, e uma forma que não envolva nem omissão de deveres nem obrigações. Como último recurso, é sempre possível levantarmo-nos quinze minutos mais cedo todas as manhãs.
Postura
Tendo encontrado a ocasião e o lugar, sentemo-nos numa cadeira confortável e comecemos a meditar. Surge depois a pergunta: como nos sentamos? A disposição de pernas cruzadas é a melhor, ou devemos ajoelhar, ou sentar, ou ficar em pé?
A postura de pernas cruzadas tem sido muito usada no Oriente, tendo sido escritos muitos livros sobre a matéria. Algumas posturas relacionam-se com o corpo nervoso e aquela estrutura interior de nervos delicados, chamados nadis pelos hindus, subjacentes ao sistema nervoso reconhecido no Ocidente.
O problema de tais posturas resulta de elas poderem conduzir a duas reacções bastante indesejáveis; levam a pessoa a concentrar a mente nas mecânicas do processo e não no objectivo; e, em segundo lugar, conduzem com frequência a um sentido de superioridade delicioso, com base no nosso esforço de fazermos algo que a maioria não consegue, destacando-nos como conhecedores potenciais. Ficamos absorvidos pelo lado formal da meditação; ocupamo-nos com o Não-eu, em vez de com o Eu.
Assim, seleccionemos aquela postura que mais facilmente nos capacita a esquecer termos um corpo físico. Provavelmente para o ocidental é a posição de sentado; as principais exigências são sentarmo-nos erectos, com a coluna direita; sentamo-nos relaxados (sem nos afundarmos), evitando qualquer estado de tensão em todo o corpo, deixando cair ligeiramente o queixo, a fim de libertar alguma tensão atrás do pescoço. A meditação é um acto interior, só podendo ser executada com sucesso se o corpo estiver distendido, equilibrado com correcção e portanto esquecido.
Respiração
Após obtido conforto físico, relaxamento, e tendo-nos desviado da consciência do corpo, podemos observar a respiração e certificarmo-nos se está calma, regular e rítmica.
Deve realçar-se aqui uma advertência sobre a prática de exercícios respiratórios, excepto para quem tenha começado por uma prática de anos de meditação correcta e purificação da natureza corporal.
Por conseguinte, nada mais faremos do que ver se a nossa respiração é tranquila e regular, desviando-se então dos pensamentos do nosso corpo por inteiro para começarmos o trabalho de concentração.
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